quarta-feira, 9 de março de 2011

Recomeçar

O último instante que contemplo
É o primeiro instante que percebo
Que o meu viver de antes nunca mais será o mesmo
Que, por mais que queira voltar para o começo, é o fim
O fim do começo e o início do meio 
Meio perdido na escuridão
Meio passo rumo ao porvir
Naus ávidas por novos mares
No meio do mundo das terras partidas
Onde restam pedaços do que outrora era vida
Resta apenas um sopro de esperança
Que traga à sintonia o que clamo
Fulgás lampejo cintilante
Entrego a ti, mais uma vez
Meu destino errante!

sábado, 8 de maio de 2010

Da Confissão

O instante que nossos olhos se encontram
É o instante que a gente se declara
É o instante que precede o beijo
É a hora que a gente cala
Pois é nessa hora que o coração fala
É quando tudo pára e nada importa
É quando tudo é eterno e nada é em vão
É quando digo eu te amo do fundo do coração!

domingo, 10 de maio de 2009

Cíclico

A cada martelada, afunda-se o prego
Fulga do que foi outrora calmaria
Naus ao mar, destinos ao céu
Segue a correnteza em caminhos tortos
Atiram-se à leste, caem no oeste
Ah, Terra redonda, põe algum juízo
Nesse prego chato que insiste que
A vida prende-se ao ritmo do martelo!

domingo, 23 de novembro de 2008

Prelúdio

"Chego a pensar que não é só um par. Depois do primeiro passo, tudo parece se completar. Eu com ela, fácil ser; eu sem ela difícil estar. Trate logo de me alcançar, estrela-do-mar, será na próxima correnteza? Vou esperar, quem sabe um dia desses eu não reviva o que é amar."

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Dos tempos

Das pessoas que conheci, poucas posso dizer que conheço
Das vidas que eu tive, só a presente me resta
Quase esqueci o curto espaço de tempo que me foi dado
Queria conhecer esse "espaço de tempo"
Será que, em vez de estrelas, existem horas?
Os ponteiros seriam os planetas girando em um eixo
Este seria o Sol. Sim, bem plausível!
Aquela vida/tempo desenfreada(o) reclamando
De repente tudo se acaba: meia-noite
A última coisa que se ouve é um enorme estrondo
Acabou um mundo para eles; apenas um dia para nós.
Aproveite a vida!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Criado-mudo

Não era raro acontecer essa cena. Noite solitária, copo vazio. Peco por sustentar essa última gota de martírio. É assim que (sempre) começo: pelo fim. Quantas vezes já me ouviu soluçando de tanto chorar? Não se recorda de quando te falei em desistir? Falhei. Detesto admitir que aquela senhora perfeição, com sua mão em meu ombro, queria tudo menos meu ombro amigo. Essa senhora que me castiga por tantos verões e que, por isso, ainda guardo cicatrizes de alguns deles; nada me fez mudar. Peco, pela segunda vez. Por que nunca me disseste uma palavra em contrário? Tem razão, não seria metade do que sou hoje sem o que você (não) é! Todo o fulcro que a mim foi renegado, consubstanciou-se nesse "eu". Bifurcação infindável entre tudo ou nada. Procuro a linha tênue entre ambos, embora aquelas cicatrizes ainda insistam em doer de tempos em tempos. Obrigado por estar sempre (e nunca) ao meu lado e por guardar minhas imperfeições para si. Obrigado, criado-mudo, por permanecer calado ante minhas reclamações. Agora posso apagar essa lâmpada de abajur que te sobrevem e dormir. Tenha certeza que nada do que me falaste será esquecido! Nunca!
PS: Poderia guardar mais este pedaço de papel? Obrigado!