Não era raro acontecer essa cena. Noite solitária, copo vazio. Peco por sustentar essa última gota de martírio. É assim que (sempre) começo: pelo fim. Quantas vezes já me ouviu soluçando de tanto chorar? Não se recorda de quando te falei em desistir? Falhei. Detesto admitir que aquela senhora perfeição, com sua mão em meu ombro, queria tudo menos meu ombro amigo. Essa senhora que me castiga por tantos verões e que, por isso, ainda guardo cicatrizes de alguns deles; nada me fez mudar. Peco, pela segunda vez. Por que nunca me disseste uma palavra em contrário? Tem razão, não seria metade do que sou hoje sem o que você (não) é! Todo o fulcro que a mim foi renegado, consubstanciou-se nesse "eu". Bifurcação infindável entre tudo ou nada. Procuro a linha tênue entre ambos, embora aquelas cicatrizes ainda insistam em doer de tempos em tempos. Obrigado por estar sempre (e nunca) ao meu lado e por guardar minhas imperfeições para si. Obrigado, criado-mudo, por permanecer calado ante minhas reclamações. Agora posso apagar essa lâmpada de abajur que te sobrevem e dormir. Tenha certeza que nada do que me falaste será esquecido! Nunca!
PS: Poderia guardar mais este pedaço de papel? Obrigado!
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Assinar:
Comentários (Atom)